Projeto Safewater apresentado no Suplemento de Educação Time

28th fevereiro 2019

Projeto SAFEWATER da Universidade de Ulster: Pesquisa com impacto global

A contribuição transdisciplinar aborda o desafio de se criar água portável para todos.

Há nove anos as Nações Unidas declararam que o acesso a água potável é um direito humano. No entanto, ainda existem mais de 1,8 bilhões de pessoas ao redor do mundo que não tem acesso a isso. Além disso, até 2025 estima-se que metade da população mundial viverá em áreas com escassez de água.

É esse abismo entre o direito legal e a realidade que os pesquisadores do Safewater – um centro transdisciplinar que enfrenta os desafios e problemas ocasionados pela contaminação da água, liderado pela Universidade de Ulster – querem corrigir.

John Anthony Byrne, um professor de fotocatálise da Escola de Engenharia da Ulster, lidera um projeto de pesquisa de seis milhões de euros, parcialmente financiado pelo

“Global Challenges Research Fund” que objetiva desenvolver tecnologias sustentáveis e de baixo custo para suprir a necessidade de água potável de comunidades rurais na Colômbia e no México.

O Safewater espera melhorar a saúde dessas comunidades visando a entrega de 250 litros de água potável, diariamente, a cada domicílio. Aproximadamente 1000 crianças morrem a cada dia devido a doenças relacionadas a água e saneamento, as quais são podem ser evitadas. Baseado nisso, a equipe avaliará as condições de saúde, primariamente, entre crianças menores de cinco anos, as quais incluem crescimento, peso e incidência de doenças como diarreia, para avaliar o sucesso do projeto.

Métodos de tratamentos tradicionais de água não são capazes de descontaminar o volume de água requerido sem uma infraestrutura grande e cara. Segundo Byrne “Se você não fornece água potável suficiente para cozinhar, limpar e beber então as pessoas começarão a buscar água em diferentes (e potencialmente sujas) fontes, o que interferiria negativamente no propósito do exercício.

Dentre os objetivos do projeto Safewater está o desenvolvimento de um sistema de filtração para grandes volumes que não depende efetivamente da ação do usuário – algo simples como girar uma torneira. Byrne comenta que no Reino Unido a população normalmente não sabe como a água é tratada, “então porque deveríamos esperar que pessoas com problemas muito maiores que só água entendessem e se envolvessem em uma intervenção que requer que eles realizem muitos passos para obter água potável?”

Sua equipe é composta por acadêmicos da Universidade de Ulster, da Universidade de Medelín na Colômbia e da Universidade de São Paulo, no Brasil, de diversas disciplinas como saúde e nutrição, psicologia comportamental, microbiologia, engenharia, química e negócios. O grupo desenvolverá tecnologias de descontaminação que, caso se provem efetivas, poderão ser reproduzidas em outros países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento – juntamente com abordagens comportamentais para garantir que elas serão adotadas com sucesso.

O grupo inclui também organizações não governamentais – CTA na Colômbia e a Fundação Cántaro Azul no México, as quais possuem experiência em trabalhar com comunidades locais em questões relacionadas, por exemplo, à água potável. “Engajar-se com a população rural na Colômbia e no México não é fácil” diz Byrne. “Você não pode, simplesmente, entrar nessas comunidades. Você precisa construir confiança.”

O Safewater também está desenvolvendo equipamentos eletrônicos para testar a contaminação da água, fora do laboratório de microbiologia. Os kits móveis, já existentes, podem levar até 24 horas para processas as amostras e, normalmente, requerem treinamento técnico para sua operação.

Os equipamentos enviarão os dados das amostras de água, via rede móvel, para um laboratório remoto, para monitoramento remoto. Uma luz verde ou vermelha indicará se a água é contaminada. Segundo Byrne “Isso é realmente muito empolgante, porque se for possível realizar isso com baixo custo e sem a exigência de nenhum conhecimento técnico, qualquer pessoa pode, rapidamente, dizer se água daquela aquela  fonte é segura para ser consumida ou não.”

De acordo com Byrne, se o sistema que o Safewater está desenvolvendo melhorar a saúde das comunidades rurais e ainda continuar sendo utilizado após o fim do projeto, então ele considerará um sucesso. Com acadêmicos da Escola de Negócios da Ulster modelando formas de garantir a longevidade do projeto, ele espera poder beneficiar as comunidades financeiramente, também.

Tudo isso é possível porque o projeto foi desenhado através de divisões disciplinares e geográficas, ele explica. “Estamos vendo isso juntos desde o início, em vez de muitas pessoas trabalhando em disciplinas individuais, o que levaria a uma solução que não é aceita pelas comunidades. Nós devemos considerar o que as comunidades necessitam desde o princípio. Essa é a base de uma pesquisa transdisciplinar.” https://www.timeshighereducation.com/hub/ulster-university/p/ulster-universitys-safewater-project-research-global-impact

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